Photo © Eric Sander
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Paysage de Feu

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Localização
41150 Chaumont sur le Loire, França
Ano
2020
Custo
0 - 100K
Pisos
1-5 Stories
Cliente
Festival International des Jardins de Chaumont sur le Loire
Equipa
Daila Coutinho, Frederico Almeida, Carlos M Teixeira

Com reputação internacional, o Festival International des Jardins Chaumont-sur-le-Loire é “o laboratório mundial no âmbito dos jardins e da criação paisagística contemporânea”, e acontece anualmente nas dependências de um castelo construído há 500 anos no Vale do Loire, uma região no interior da França tombada pela Unesco e conhecida por seus esplêndidos castelos renascentistas.

O Festival foi inaugurado em plena pandemia no último dia 16 de maio, e entre os jardins da mostra 2020 está o nosso Piro-Paisagem (Paysage de Feu), feito com árvores do Cerrado. Em fevereiro, e depois de uma longa viagem Brasil-França de mais 9.000 quilômetros, os galhos do Cerrado chegaram em Chaumont, ficando à espera das obras no pátio de manobras do castelo.

Nossa proposta para o Festival, cujo tema deste ano é “Retorno à Mãe-Terra”, toma a destruição do Cerrado como mote de projeto. Nos últimos meses os olhos do mundo têm se voltado para as queimadas da Amazônia, enquanto o Cerrado continua sendo destruído para virar soja e pasto sem qualquer repercussão nacional ou internacional.

Piro-Paisagem é um arranjo de galhos podados e troncos queimados coletados em uma área protegida no sopé da Serra da Moeda (MG), local bem próximo da Casa no Cerrado (também publicada em nosso perfil WA). O projeto expõe os galhos em linha, qual animais abatidos pendurados num frigorífico, e funciona como um “jardim botânico póstumo” de espécies encontradiças nos estados de Minas Gerais, Goiás e Bahia. Em princípio, é um jardim morto feito de plantas expostas de cabeça para baixo.

Além da referência aos abatedouros, outra conotação do jardim é que o Cerrado é um bioma de árvores com raízes muito maiores que os galhos. São plantas adaptadas a regiões mais secas, capazes de alcançar lençóis freáticos muito baixos e, por isso, plantas mais terrestres que aéreas. Órgãos sem olhos e sem ouvidos que exploram um mundo subterrâneo sem sol e sem movimento, as raízes fazem das árvores seres anfíbios, ligando a terra ao ar, vivendo num mundo críptico e nutrindo as folhas que buscam a luz (Emanuele Coccia, 2016). É justamente nas profundezas do solo ácido e imprestável do Cerrado que elas encontram vida onde nenhum outro organismo consegue, transformando tudo o que tocam em energia e alimento.

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